A Konami Digital Entertainment lança Castlevania: Belmont’s Curse em 15 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC. Para os leitores de fora do Japão, o nome na caixa é aquele que já conhecem há muito tempo. No Japão não é assim. Lá a série se chama Akumajō Dracula, e foi com esse nome que os jogadores japoneses cresceram. O nome Castlevania já havia aparecido antes em lançamentos japoneses, mas Akumajō Dracula foi o nome ao qual a série sempre voltou. Para este novo jogo, a Konami colocou Castlevania também na capa japonesa.

Um longo intervalo entre jogos novos

O produtor Tsutomu Taniguchi chamou Belmont’s Curse de um novo título depois de um longo intervalo, e disse que o projeto nasceu, em parte, de um sentimento de crise: o número de pessoas que realmente jogavam Castlevania havia caído. Ele contou que, depois de entrar na Konami, encontrava sempre os mesmos comentários em comunidades de fãs e nas redes sociais. Algumas pessoas gostavam de jogos de ação com foco em exploração, mas nunca tinham jogado Castlevania. Outras tinham assistido à série animada sem ter jogado os games.

O caminho até um jogo novo foi construído em etapas: coletâneas dos títulos antigos, depois um conteúdo adicional de Castlevania para Dead Cells, e agora este jogo. Lançá-lo, relaxar e voltar só daqui a dez anos não faria sentido, disse Taniguchi.

O produtor da Konami diz que sofreu para decidir o nome

Taniguchi disse que sofreu bastante antes de decidir usar também o nome Castlevania no Japão. Ele afirma que realmente se atormentou com isso, e que a decisão não foi só dele: a equipe inteira debateu o assunto antes de chegar a essa conclusão. Ele também contou que ele mesmo está acostumado a chamar a série de Akumajō Dracula.

O que decidiu a questão, segundo ele, foi a forma como um título se conecta quando a informação circula pela internet. Ele queria que quem nunca tinha jogado a série conseguisse chegar até ela, tanto quanto queria que quem já era fã continuasse aproveitando, e queria que qualquer pessoa que pesquisasse o jogo conseguisse entender do que se tratava. Um único nome faz isso melhor do que dois.

Trevor Belmont, também no Japão

O mesmo raciocínio foi aplicado ao nome de um personagem. O personagem que os jogadores de língua inglesa conhecem como Trevor Belmont tinha outro nome nas versões japonesas da série: Ralph C. Belmondo. Isso não é mais verdade. O site japonês de Belmont’s Curse dá a ele o mesmo nome que os leitores de fora do Japão já usam. Taniguchi apresenta a mesma justificativa dada para o título: a forma como a informação chega às pessoas e a facilidade de compreensão para quem faz uma busca.

O público japonês já tinha encontrado esse nome fora dos jogos. A dublagem japonesa da série animada de Castlevania, que começou a ser exibida em 2017, também usava o nome Trevor, e Ryotaro Okiayu, que deu voz a ele nessa dublagem, retoma o papel em Belmont’s Curse.

Desta vez Trevor não é o protagonista. A protagonista é sua filha, Rose Belmont, que carrega a maldição de Dracula no braço direito. Belmont’s Curse se passa 23 anos depois de Castlevania III: Dracula’s Curse. A mãe dela, Sypha Belnades, foi atingida por essa maldição nos combates retratados naquele jogo, e morreu pouco depois do nascimento de Rose. Trevor atende a um pedido de socorro vindo de Paris e desce o rio Sena com a filha até a cidade. Na versão japonesa, Yui Ishikawa dubla Rose, Okiayu dubla Trevor, Satoshi Tsuruoka dubla Death e Naoya Uchida dubla o conde Dracula.

Made in France

O conteúdo adicional de Dead Cells também foi o que levou os dois estúdios franceses a trabalhar em Belmont’s Curse. Taniguchi disse que Dead Cells: Return to Castlevania mostrou um entendimento profundo da série, um carinho genuíno por ela e um cuidado minucioso com os detalhes, algo que impressionou o lado japonês. O projeto cresceu bem além do que estava planejado. Um modo que a Konami já tinha desistido de fazer acabou saindo quase pronto: o estúdio avisou que tinha uma surpresa e a mostrou pouco antes do lançamento: lá estava ela.

Imagem-chave de Dead Cells: Return to Castlevania

Belmont’s Curse é desenvolvido pela Evil Empire e pela Motion Twin, ambas sediadas na França, e publicado pela Konami Digital Entertainment. Taniguchi é o produtor e Yukiko Hokao é a diretora. Na Evil Empire, Emmanuel Nouaille é diretor criativo e Bérenger Dupré é diretor de marketing.

Paris, 1499

A época foi a primeira coisa a ser definida. Taniguchi disse que a equipe queria que o retorno da série se passasse na Europa, e que a Paris daquela época tinha a arquitetura gótica que combina com o tom da série. A ação com o chicote exige uma tela legível, então a equipe aumentou o contraste sem perder a estética gótica. Nouaille disse que as catacumbas e Notre-Dame aparecem no jogo, e que lendas ligadas a figuras reais, entre elas Joana d’Arc, foram incorporadas.

Dupré, nascido na França, disse que o que o atraiu foi o contraste: uma catedral, algo sagrado, transformada no cenário do castelo do demônio. Ele também disse, meio de brincadeira, que sempre quis destruir Paris pelo menos uma vez.

Uma protagonista feminina também não foi o ponto de partida. Hokao e Taniguchi disseram que essa ideia surgiu durante a construção do mundo em torno da filha de Trevor. Nouaille disse que a maldição passada de mãe para filha deu à protagonista um motivo claro para agir: vingar a mãe.

As marcas registradas da série foram adicionadas da mesma forma. Velas soltam itens, paredes destruídas liberam carne, lustres caem. Hokao disse que nada disso foi simplesmente copiado: os dois lados discutiram o que faz algo parecer Castlevania, e incluíram os elementos a partir daí.

A arte principal é de Katsuya Terada. Taniguchi disse que o trabalho impressiona independentemente da origem do artista, e que parece novo ao mesmo tempo em que transmite uma sensação de peso e de história, o que combina com a ideia de tradição e inovação sobre a qual o jogo é construído. O fato de Terada ter público tanto na França quanto no Japão também pesou na escolha.

Arte principal de Katsuya Terada, em formato retrato

Castlevania completa 40 anos em 2026, e Belmont’s Curse chega em 15 de outubro. Para os leitores de fora do Japão, o nome que aparece no jogo é aquele que eles já usam. A mudança está no Japão: para o retorno da série, a Konami agora usa esse nome também por lá.

Fontes: Famitsu; o site oficial de Castlevania: Belmont’s Curse (Konami). Compilado a partir de fontes em japonês.